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Genealogia Judaica na Romênia
release Fernando Klabin
Quem desejar visitar a shtetl de seus antepassados ou simplesmente conhecer as atrações turísticas de uma Europa pouco divulgada, mergulhando numa viagem ao passado, pode agora fazê-lo em bom português.
Fernando Klabin, paulistano que mora há 12 anos em Bucareste, inaugurou uma pousada em Draguseni, no interior da Romênia, na encruzilhada de regiões históricas – Bessarábia, Moldávia, Bucovina e Transilvânia – onde, até a II Guerra Mundial, concentrava-se uma populosa comunidade judaica.
A pousada Fernando’s Hideaway, embora deva seu nome a uma canção do musical norte-americano The Pajama Game, de 1954, foi construída segundo os pitorescos padrões do folclore moldavo. Além de oferecer hospedagem, Fernando, que é guia turístico reconhecido pelo Ministério do Turismo romeno, também concebe passeios exclusivos – de cunho judaico ou não – sob medida e realiza pesquisas genealógicas.
“Na prática, tudo começou em 1998”, revela o único guia brasileiro na Romênia, “quando soube que o advogado carioca Henrique Gandelman, presente em Bucareste para uma conferência, planejava visitar a cidade natal de seus pais na Bessarábia. Prontifiquei-me em guiá-lo numa viagem que se transformou numa inesquecível aventura pela República da Moldávia. Foi ele então quem me deu a idéia de transformar isso numa atividade constante.”
Desde então, Fernando tem guiado, por recomendação da JewishGen (www.jewishgen.org), inúmeros descendentes de judeus romenos, sobretudo dos EUA, que buscam sinagogas, documentos de família e túmulos, ou que simplesmente querem vivenciar o genius loci, o que invariavelmente produz toda a sorte de emoções.
Emoções que Fernando sentiu na própria pele em 1995, ao visitar em pleno inverno o vilarejo lituano de Zelva, de onde partira para São Paulo sua família paterna em torno de 1890. “Tinha a impressão de que me encontraria com meu tataravô Leon Klabin a cada esquina que dobrava”, confessa o tataraneto que cruzou o Atlântico de volta e que, por intermédio de seus serviços, decidiu colocar ao alcance dos outros a mesma gama de sentimentos evocada pelo turismo genealógico.
Só há poucos meses, porém, ele resolveu investir na construção da pousada e na divulgação de seus serviços:
“No desejo de cuidar do ambiente e da qualidade de acomodação dos meus clientes, surgiu a pousada, cuja idéia já tem tudo a ver com a atividade genealógica. A casa foi construída no antigo terreno dos pais do meu sogro, espoliados durante o regime comunista. Isso se harmoniza com o sentido de resgatar, proteger e registrar o passado, tendência tão cara ao povo judaico. Ao erguer uma casa respeitando os cânones da arquitetura camponesa e oferecendo ao mesmo tempo todo o conforto moderno, procuro transmitir ao hóspede estrangeiro um pouco da atmosfera salutar do passado, baseando-me sobretudo na valorização da gastronomia e do folclore locais.”
Ao lado de sua esposa e cunhado, Fernando tem o cuidado de monitorar todas as etapas do serviço, recebendo os grupos limitados de hóspedes como se fossem amigos de longa data.
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